Na frente havia uma enchente, atrás uma peste, e, no meio, a fome servia de adorno... Nascida numa época suficientemente ruim, a vida de cada pessoa era tão curta que se podia ver o fim de relance. Assim, ao perceber que tinha reencarnado na Idade Média e adquirido a habilidade de ver fantasmas, Felícia começou a coletar todo tipo de informação para se preparar para o futuro. Após muito esforço, ela finalmente conseguiu, com sua cara de pau, encontrar um fantasma erudito para ser seu professor e aprendeu a importante habilidade de “escrever”.
Munida dessa habilidade, ela conquistou seu espaço em um mundo onde 99% da população era analfabeta, acabou, por acaso, infiltrando-se no castelo de um conde e, aos vinte anos, alcançou sua profissão dos sonhos: uma honrada copista, atualmente designada a confeccionar um livro de horas para o novo conde. Que profissão perfeita para enrolar! Felícia sentia-se realizada: seus dias se resumiam a copiar textos, ilustrar páginas e compartilhar fofocas com as senhoritas fantasmas do castelo, ocasionalmente mandando algum espírito maligno para encontrar sua divindade. Quanto às disputas de terras entre senhores, às intrigas entre a Igreja e os reis, nada disso lhe dizia respeito... Mesmo que fosse envolvida, faria de conta que não era com ela — ninguém impediria sua vida tranquila.
Foi assim que Felícia, determinada a apenas viver de forma pacata, certa vez enfiou uma vara no espião que tentava invadir o castelo pelo banheiro, empurrando-o direto para o esgoto. Até que, um dia, foi temporariamente transferida para outro setor e incumbida de copiar cartazes de procurados. Pela primeira vez, leu uma descrição sobre “bruxas”: dizia-se que as bruxas podiam conversar com todos os seres vivos ou mortos, e as mais poderosas eram capazes de controlar a mente daqueles com quem falavam, usando-os a seu favor... Felícia ficou chocada ao ler aquilo — a bruxa era ela mesma!
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Lance Dailer, filho bastardo do conde Nito, guardava um segredo inconfessável: herdara, pelo lado materno, um sangue especial que lhe permitia ver coisas invisíveis aos demais desde pequeno. O castelo do pai estava repleto de almas penadas, e, desde que fora levado para lá, Lance era desprezado pelo pai e pelos irmãos por seus gritos constantes. Desde criança, desejava fugir daquele castelo enlouquecedor, mas o destino não colaborou: quando toda a família Nito foi decapitada pelos inimigos políticos, ele foi usado como peça de apaziguamento entre os senhores feudais, recebendo do próprio imperador o título de novo conde de Nito. Assim, ficou preso para sempre no castelo, atormentado por problemas internos e externos do feudo, vendo sua vida piorar a cada dia.
Lance: Melhor seria a destruição.
Certa manhã, como de costume, o jovem conde acordou cercado por uma multidão de fantasmas, suportando o desconforto físico e desejando sair para tomar sol e afastar os espíritos indesejados. Foi então que, nos corredores estreitos do castelo, encontrou a copista a caminho do trabalho. Ela olhou para seu chefe com compaixão e, dizendo “há pó no seu ombro”, tocou o ombro do conde e, num instante, dissipou todos os maus espíritos que se agarravam a ele, seguindo silenciosamente para o serviço.
Lance, finalmente recuperando-se dos gritos espectrais: ?? Espera aí!
Nota:
1. Ambientação ficcional no século XIV, baixa magia, há pessoas especiais, mas ninguém invencível.
2. Ritmo lento, foco em múltiplos personagens, trama principal, poucos romances.
3. O enredo abrange um grande período de tempo, começando com a protagonista aos 8 anos; os protagonistas se conhecem tarde, e os eventos do resumo também ocorrem mais adiante, sendo apenas uma das linhas principais — o foco é a vida dos protagonistas.
4. Contexto histórico especial, mortes rápidas e numerosas.